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Nº 2 - VERÃO 2005
 
 
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BOA FORMA

Boxe é feminino, sim!

Jabs, upper cuts, cruzados, knockouts... Esses termos, por muito tempo associados às figuras de marmanjos cheios de músculos, chegaram ao universo feminino. Além de aprender um esporte que pressupõe coragem e resistência, elas também ganham condicionamento físico, serenidade e um corpo perfeito.



POR RODRIGO APOLLONI
FOTOS: THEO MARQUES

Letícia Correia da Silva, 24, formanda em Medicina. Letícia Mansur, 23, estudante de Direito. Três vezes por semana elas deixam o trabalho e os estudos para se dedicar ao boxe. Ajustam as luvas e, por cerca de uma hora e meia, repetem técnicas clássicas. O trabalho, acompanhado pelo expert Macaris do Livramento, inclui golpes contra sacos de boxe, jogo de pernas, ataques e defesas no ringue.
“O boxe é feminino, sim!”, garante Letícia Correia da Silva. Segundo ela, há uma grande diferença entre o esporte e uma “luta de rua”. Como optou por não combater (normalmente, apenas as boxeadoras profissionais optam por lutar), o trabalho se voltou totalmente à saúde e à beleza. “Melhorei a postura, perdi gordura e ganhei definição nos braços, costas e, principalmente, na barriga,” explica. E ela diz que o nível de stress caiu: “Você vem para cá e, enquanto treina, esquece de tudo.”

Machona, não!
Letícia Mansur começou a praticar há dois anos com Macaris do Livramento. Nesse período, desfechou milhares de socos contra os sacos de pancadas e os punch-balls da academia. Ela diz que começou para tentar reduzir o stress. “Uma aula de boxe é um alívio depois de um dia de trabalho”, conta. Sobre a reação dos homens ao boxe feminino, Letícia diz que o preconceito está acabando. “Eles até achavam que a mulher ficava muito ‘machona’, mas hoje estão vendo que não tem nada a ver. Eu, por exemplo, treino boxe e faço as unhas toda semana!”, conta.

Uma Peso Pluma boa de briga
Macaris Antunes do Livramento, 45, é uma referência no boxe paranaense. Lutador profissional desde os 29, tem um cartel de 107 lutas (com 104 vitórias). Em Curitiba, orienta cerca de 160 praticantes – cem homens e sessenta mulheres. Há algum tempo, porém, divide a fama com uma lutadora: a própria esposa, Rosillete dos Santos, primeira boxeadora profissional do Paraná. Aos trinta anos, ela é uma das poucas brasileiras presentes no BoxRec (www.boxrec.com), uma importante base de dados internacional da modalidade.
Ao pisar pela primeira vez em uma academia, Rosillete queria apenas perder peso. “Eu tinha 55 quilos e era gordinha”, explica. Hoje, mantém o mesmo peso, mas as gordurinhas foram substituídas por músculos.
Rosillete explica que a diferença entre o boxe masculino e o feminino é pequena. “Há coisas como o número de rounds, que no caso das mulheres é menor, e a necessidade de uso do protetor de seios pelas lutadoras. Fora isso, a técnica é a mesma.” Apesar de todo o treinamento e do gosto pelas lutas, porém, Rosillete deve fazer uma “parada estratégica” em 2006. O motivo – eis aí o grande diferencial entre lutadores e lutadoras – é dos mais nobres: ela pretende ser mãe.

Onde praticar:
Academia Macaris
- R. Barão do Serro Azul - 335, Centro;
Tel. (41) 9119-1345
Academia Atletic
- R. Petit Carneiro, 57, Água Verde (Arena da Baixada); Tel. (41) 3342-8080
Academia Boxe Trainning
- Rua Fernando Amaro, 342, Alto da XV; Tel. (41) 3019-4829

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