BOA FORMA
Boxe é feminino, sim!
Jabs, upper cuts, cruzados, knockouts... Esses termos,
por muito tempo associados às figuras de marmanjos
cheios de músculos, chegaram ao universo feminino.
Além de aprender um esporte que pressupõe
coragem e resistência, elas também ganham
condicionamento físico, serenidade e um corpo perfeito.

POR RODRIGO APOLLONI
FOTOS: THEO MARQUES
Letícia Correia da Silva, 24, formanda em Medicina.
Letícia Mansur, 23, estudante de Direito. Três
vezes por semana elas deixam o trabalho e os estudos para
se dedicar ao boxe. Ajustam as luvas e, por cerca de uma
hora e meia, repetem técnicas clássicas.
O trabalho, acompanhado pelo expert Macaris do Livramento,
inclui golpes contra sacos de boxe, jogo de pernas, ataques
e defesas no ringue.
“O boxe é feminino, sim!”, garante
Letícia Correia da Silva. Segundo ela, há
uma grande diferença entre o esporte e uma “luta
de rua”. Como optou por não combater (normalmente,
apenas as boxeadoras profissionais optam por lutar), o
trabalho se voltou totalmente à saúde e
à beleza. “Melhorei a postura, perdi gordura
e ganhei definição nos braços, costas
e, principalmente, na barriga,” explica. E ela diz
que o nível de stress caiu: “Você vem
para cá e, enquanto treina, esquece de tudo.”
Machona, não!
Letícia Mansur começou a praticar há
dois anos com Macaris do Livramento. Nesse período,
desfechou milhares de socos contra os sacos de pancadas
e os punch-balls da academia. Ela diz que começou
para tentar reduzir o stress. “Uma aula de boxe
é um alívio depois de um dia de trabalho”,
conta. Sobre a reação dos homens ao boxe
feminino, Letícia diz que o preconceito está
acabando. “Eles até achavam que a mulher
ficava muito ‘machona’, mas hoje estão
vendo que não tem nada a ver. Eu, por exemplo,
treino boxe e faço as unhas toda semana!”,
conta.
Uma Peso Pluma boa de briga
Macaris Antunes do Livramento, 45, é uma referência
no boxe paranaense. Lutador profissional desde os 29,
tem um cartel de 107 lutas (com 104 vitórias).
Em Curitiba, orienta cerca de 160 praticantes –
cem homens e sessenta mulheres. Há algum tempo,
porém, divide a fama com uma lutadora: a própria
esposa, Rosillete dos Santos, primeira boxeadora profissional
do Paraná. Aos trinta anos, ela é uma das
poucas brasileiras presentes no BoxRec (www.boxrec.com),
uma importante base de dados internacional da modalidade.
Ao pisar pela primeira vez em uma academia, Rosillete
queria apenas perder peso. “Eu tinha 55 quilos e
era gordinha”, explica. Hoje, mantém o mesmo
peso, mas as gordurinhas foram substituídas por
músculos.
Rosillete explica que a diferença entre o boxe
masculino e o feminino é pequena. “Há
coisas como o número de rounds, que no caso das
mulheres é menor, e a necessidade de uso do protetor
de seios pelas lutadoras. Fora isso, a técnica
é a mesma.” Apesar de todo o treinamento
e do gosto pelas lutas, porém, Rosillete deve fazer
uma “parada estratégica” em 2006. O
motivo – eis aí o grande diferencial entre
lutadores e lutadoras – é dos mais nobres:
ela pretende ser mãe.
Onde praticar:
Academia Macaris - R. Barão do Serro Azul
- 335, Centro;
Tel. (41) 9119-1345
Academia Atletic - R. Petit Carneiro, 57, Água
Verde (Arena da Baixada); Tel. (41) 3342-8080
Academia Boxe Trainning - Rua Fernando Amaro,
342, Alto da XV; Tel. (41) 3019-4829

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