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Nº 1 - PRIMAVERA 2005
 
 
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MODA PRAIA

Biquíni, 60 anos

Em 2006, o mundo comemora os sessenta anos do biquíni. Curitiba
Deluxe antecipa a data e conta como tudo começou



POR PRISCILLA FOGGIATO
FOTO: RAFAEL DABUL

A menor roupa de banho do mundo. Foi com esse conceito bombástico que o biquíni surgiu nas passarelas internacionais. Nascida em julho de 1946, em Paris, pelas mãos de Louis Réard, a idéia inicial precisou passar por reformas e ganhar mais pano até que alguma modelo aceitasse desfilar com ela. O nome da criação era uma menção e uma crítica aos testes nucleares que os norte-americanos faziam na mesma semana no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico.
A criação, que está completando sessenta anos, abalou os padrões vigentes na época. Até então as mocinhas só usavam maiôs e tentativas de “duas peças”, que nada mais eram que os mesmos maiôs divididos em duas partes, sem mostrar o umbigo. Na época, a rainha da elegância e mais famosa editora da revista Vogue, Diana Vreeland, chegou a afirmar, “o biquini é a invenção do século, o átomo da bomba fashion”.
A reação contrária da sociedade foi imediata. Porém, foi impossível conter as estrelas de Hollywood e as pinups que imediatamente o adotaram. A tal “imoralidade” ganhava as curvas fartas de beldades como Ava Gardner, Jane Mansfield e Rita Hayworth e, dessa forma, definitivamente começava a fazer parte da sociedade. Pelo menos da sociedade americana, pois o biquíni ainda demoraria dez anos para chegar ao Brasil.

E Deus... criou o biquíni
Em 1956, Brigitte Bardot enchia os olhos dos espectadores em E Deus... Criou a Mulher (Et Dieu... créa la femme), de Roger Vadim, vestindo um duas peças de babadinhos. Coincidentemente na mesma época – exatos dez anos depois de sua invenção – os primeiros biquínis começavam a aparecer nas praias do Rio de Janeiro. A cidade, então capital do país, já mantinha sua aura de pioneirismo nos modismos e era aberta às mudanças e novidades. As primeiras a desfilarem seus modelitos foram as vedetes Carmem Verônica e Norma Tamar, que tiveram coragem de encarar a areia e os olhares alheios.
“Alguns diziam que era falta de pudor, mas o carioca não é de ter muito preconceito”, afirma Regina de Souza, 61 anos. “Todas as minhas amigas usavam, o pessoal olhava, mas não tinha nada de repressão”. As mulheres cariocas viram no biquíni um aliado a mais para exibir sua beleza. “A mãe de uma amiga minha dizia ‘mas filha, nem tem tecido direito nisso daí’, e a gente dizia ‘mas é assim mesmo’ e saía para a praia”, conta.
Naquela época os biquínis eram trazidos de fora do país. Não havia produção nacional e nem os tecidos eram tão modernos: eles eram feitos de algodão.
Em 1959, surgia a lycra, dando nova vida às roupas de praia e aos biquínis. As rádios popularizavam a moda, tocando “Era um biquíni de bolinha amarelinho”, e as meninas podiam desfilar à vontade com eles – desde que no Rio de Janeiro. Nas praias do Paraná, ele ainda levou pelo menos cinco anos para ser aceito.

Vinte anos depois...
“Nós já usávamos biquíni nas praias daqui antes de 1960”, contam Valdete Corrêa, 68 anos, e Dalva Corrêa, 65, irmãs. “Mas éramos pioneiras, assim como também usei calças compridas antes de todo mundo... E a praia que freqüentávamos também era bem mais calma”, justifica Valdete.
“Quando usávamos, as pessoas ficavam olhando e até saíam de perto. Diziam que só as mulheres de reputação duvidosa usavam aquilo”, conta Dalva. O biquíni só foi realmente tolerado pela sociedade paranaense por volta de 1966, vinte anos depois da sua criação. “Era difícil encontrar aqui para comprar, então fazíamos os nossos, de algodão. Eu tinha um amarelo de bolinhas, como na música, que era um sucesso”, relembra.
Em fevereiro de 1966, a revista Panorama estampa várias páginas com imagens do litoral paranaense em matéria intitulada “O triunfo do bikini”, em que relata que a moda terminou por se impor nas praias do estado. Ironicamente, a matéria comenta também as expectativas para o futuro do litoral, prevendo que no ano 2000 estariam resolvidos os problemas de falta de água, energia elétrica e saneamento, e o turismo estaria plenamente desenvolvido.

Virou comum
Depois de aceito e estabelecido definitivamente em terras brasileiras, a pequena invenção começou a evoluir e foram criadas novas modelagens. Em 1970, já definitivamente em lycra, foram lançadas a tanga e o modelo de sutiã “cortininha”. De tão pequeno, o traje de praia podia ser levado no bolso: eram apenas quatro minúsculos triângulos ligados por tirinhas.
E como sempre é possível diminuir, nos anos 80 consagraram-se a tanga e o fio dental. Em meados de 1980, até o topless deu o ar de sua graça em praias brasileiras, tendo como expoente exibicionista a modelo Monique Evans. Ainda nesse período surgiram modelos como o “asa delta” e o “enroladinho”, cujas laterais ficavam acima do ossinho dos quadris e desfavoreciam o corpo de boa parte das brasileiras.
Também foi na década de 1980 que o Brasil começou a se destacar na produção de beachwear – roupas de praia. Foram abertas as primeiras fábricas especializadas em biquínis, como a Cia. Marítima e a Rosa Chá, e as modelagens brasileiras passaram a ser famosas no mundo todo.
A década de 1990 seguiu nessa linha e os biquínis começaram a ficar mais elaborados. Foi a década do acessório na praia. Mudaram os conceitos de saídas de praia e cangas. Surgiram tecidos mais resistentes para encarar mar e piscina e foram incorporados materiais como o algodão e o crochê com lycra.
Atualmente, algumas fábricas brasileiras exportam parte significativa de sua produção. Os biquínis cresceram novamente em tamanho e a moda ficou mais eclética. Usa-se de tudo: sunkinis, tangas, cortininhas, tops, decotes e meia-taças. Até o “engana-mamãe” vive ensaiando retorno. Existem até lojas que permitem que se monte o próprio biquíni, com as peças que caem melhor no corpo de cada um. Sessenta anos depois, pode-se concluir que Diana Vreeland estava certa: ele veio para ficar.

Moda e exportação
Sete mil quilômetros de praias. Clima tropical. Somando esses ingredientes e a beleza e sensualidade da mulher brasileira, seria inevitável que o Brasil se tornasse pólo exportador de beachwear – como passaram a se chamar os trajes de banho.
Uma das primeiras empresas a se destacar no cenário de produção de moda para a praia foi a Rosa Chá, em 1988. Amir Slama, seu fundador, começou fazendo roupas de ginástica com um pequeno lote de lycra e quatro máquinas de costura que ganhou de seu pai. Dez anos e muitos biquínis depois, a Rosa Chá já chegava aos EUA e, em 2001, teria seu primeiro desfile internacional. Atualmente Amir, já chamado no exterior de Sun King (Rei do Sol), exporta mais de 13% de sua produção para países da Europa e o Japão.
Outra marca conhecida é a Cia. Marítima. Fundada em 1990, é a maior empresa de beachwear da América Latina e utiliza a larga experiência com lycra e tecidos sintéticos do Grupo Rosset – do qual faz parte – para o desenvolvimento de sua moda praia. Com a consultoria de design de Fabiana Kherlakian, a empresa exporta mais de 20% de sua produção para Grécia, Chipre, Hungria, Rússia e Eslovênia, além de vários outros locais da América Latina, Europa e Estados Unidos.
A verdade é que o Brasil dita a moda de praia do mundo todo. Para o verão 2005/2006, a Rosa Chá e a Cia. Marítima adiantam as tendências: nas praias terão vez o hippie chic, com bordados feitos à mão e referências aos anos 70. Também ganharão as areias estampas imitando animais. É escolher o seu e sair desfilando.

Moda praia masculina
Quando o assunto é moda praia para os homens, tudo se torna mais simples, afinal, moda masculina sempre pareceu menos elaborada e mais prática. Dos culotes usados para o banho de mar na época do descobrimento do Brasil, às bermudas atualmente preferidas pelos surfistas, mais do que a modelagem, o que mudou foi a tecnologia utilizada na fabricação.
O primeiro calção surgiu em 1846, numa época em que roupas de banho ainda eram feitas de lã para proteger de alguma possível friagem causada por águas geladas. E a ousadia era usada somente por nadadores, pela maior liberdade de movimentos. Desde então, o material utilizado foi o que mais evoluiu.
Na década de 1950, quando o biquíni ameaçava surgir em paisagens brasileiras, o que os homens usavam era uma espécie de shorts de tecido sintético parecido com o modelo que se usa para jogar futebol. O conforto sempre prevaleceu ao estilo.
Pelos idos de 1970, as populares sungas “speedo” – que em outros países eram usadas somente para a natação – ganharam as praias em modelagens de laterais largas e
cores escuras, incorporando a versão masculina do biquíni.
Na mesma época, Fernando Gabeira estreava com ousadia a tanga de
crochê. A moda não pegou, mas apontou tendências e causou severa diminuição na modelagem lateral das sungas, dando um ar mais moderno que permaneceu até meados da década de 1990 aos poucos que ainda a preferiam.
Os calções do estilo bermuda sempre permaneceram em harmônica convivência com as sungas. Preferidos pelo conforto e discrição, eles ganham pelo corte moderno, tecido que seca fácil e a praticidade de ir do mar ao boteco em poucos minutos sem precisar trocar de roupa.

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Boxe é feminino, sim!

BEM-ESTAR
Multiespaço para o espírito

MODA PRAIA
Biquíni, 60 anos

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