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BOA FORMA

Corpo, espírito, dança

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Olhos, braços, mãos e pés em harmonia para falar ao espírito. Movimentos que exigem a perfeição do corpo e atitude mental adequada, de entrega absoluta. Em tempo de stress, a dança indiana reúne todos os elementos para o resgate de uma vida saudável.

De acordo com a instrutora Tânia Fraguas, que estudou no sul da Índia – ela é especialista em Bharata Natyan (Bárata Natian), uma das sete escolas clássicas de dança –, cada elemento possui um significado: as pernas, pulsos e braços formam triângulos, que simbolizam o masculino e feminino, a evolução, o céu e a terra. As mãos exprimem idéias ou conceitos. As coreografias incluem movimentos com os olhos, que traduzem a alma do dançarino. “Os olhos ‘dançam’ para simbolizar a necessidade de olhar tanto para fora quando para dentro.”

Outro diferencial está nas roupas. Como originalmente as apresentações eram feitas nos templos, os dançarinos vestiam trajes condizentes com os homenageados, os deuses. Uma peça importante é o gungro, chocalho colocado nas pernas que serve para aguçar a atenção do público. E a maquiagem é especial: além do rosto, também são maquiados as mãos e os pés, considerados portas para a energia.

Para o espírito
Nativo de Mangalore, no sul da Índia, o padre católico Joachim Andrade é um dos principais especialistas em dança Bharata Natyan do Brasil. Ele ressalta a dimensão interna da dança. “Não importa se a pessoa é hindu, cristã, muçulmana ou seguidora de outra religião. A dança é um instrumento universal para chegar a Deus.” Daí porque não deve se prender apenas ao corpo. “Os brasileiros são excelentes dançarinos. Mas, quando chegam à dimensão interior, muitas vezes se perdem. Dançar pelo aspecto estético ou de saúde não é dançar. Não é dança clássica. Bharata Natyam é uma prática completa porque integra o corpo e o espírito”, observa padre Joachim.

Karin Nascimento representa em Curitiba a Escola de Danças Natyalaya, filial brasileira da Natyalaya School of Classical Dances, de Kerala (sul da Índia). Ela conheceu a dança Bharata Natyan em 2001, durante uma feira indiana realizada em São Paulo. “Assim que eu vi, me apaixonei. Para mim, dançar é orar. Muita gente não gosta de relacionar dança com religião, mas ela nasceu nos templos e esta é uma relação importante. É muito mais do que um simples exercício físico”, observa.

Para o corpo

Afora o aspecto da devoção, a dança produz excelentes resultados “externos”. Segundo Tânia Fraguas, o trabalho corporal – marcado pela repetição dos movimentos e coreografias – é intenso. “Alguns minutos de dança consomem um bom número de calorias”. Dançar também melhora o alongamento, fortalece as articulações e os sistemas respiratório e circulatório.

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