| INFORME
Água de viver

Programa ambien-tal desenvolvido por Itaipu ganha
reconhecimento
mundial como exemplo de ecologia integral
Um lago com área equivalente
a quase dois terços da área de Curitiba.
Que banha várias cidades e afeta diretamente
o dia-a-dia de dezenas de milhares de pessoas em
dois países. A construção da
usina de Itaipu, nos anos 70, não gerou apenas
eletricidade em uma escala gigantesca, mas uma tremenda
responsabilidade em relação aos seres
humanos e ao meio ambiente. A água, como
podemos observar, possui um papel extraordinário
neste cenário. Foi exatamente por isso que
a direção da Itaipu Binacional criou
o programa “Cultivando Água Boa”,
uma das maiores iniciativas ambientais do mundo.
São nada menos do que 70 projetos e subprojetos
que abrangem 108 ações nas duas margens
do lago da usina, no Brasil e no Paraguai, e que
têm como objetivo garantir a qualidade da
água que chega ao reservatório da
usina.
“Nossa primeira missão é produzir
energia com qualidade. A água, portanto,
é a nossa maior riqueza. A usina depende
diretamente da qualidade desta água, assim
como dela depende a vida das comunidades da região
do reservatório”, diz o diretor-geral
brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek. Os
projetos buscam despertar a consciência ecológica,
preservar rios e nascentes, proteger e constituir
as matas que margeiam os rios. O programa também
incentiva a prática agrícola mais
intergrada com a natureza. “Promovemos o plantio
direto, que tem menor impacto sobre o solo, a agricultura
orgânica e de plantas medicinais, a destinação
correta das embalagens de agrotóxicos e a
criação de peixes em tanques-redes”,
explica Samek.
O especialista responsável pelas ações
de meio ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich, observa
que o “Cultivando Água Boa” segue
os preceitos e as propostas estabelecidos nos principais
pactos nacionais e internacionais de proteção
ambiental: a Agenda 21, a Carta da Terra, as Metas
do Milênio, o Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e
Responsabilidade Global, a Conferência Nacional
do Meio Ambiente e as políticas ambientais
do Governo Federal. O elemento fundamental do programa,
observa, é a educação ambiental
para a sustentabilidade. “O trabalho passa
pela revisão de valores e pela construção
do novo paradigma. Não queremos conscientizar
apenas os pequenos agricultores e pescadores da
área da usina, mas todas as pessoas.”
Consciência
Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente da Eletrobrás,
diz que o “Cultivando Água Boa”
poderia servir de modelo para todas as hidrelétricas
do mundo – tanto que foi escolhido como modelo
para o setor elétrico brasileiro. “É
um trabalho exemplar, que já despertou a
atenção internacional. É uma
prova da consciência brasileira de que uma
usina não deve servir à sociedade
apenas gerando eletricidade.”
O reconhecimento internacional veio em novembro
de 2005, em Amsterdã (Holanda), quando a
comissão da “Carta da Terra + 5”
apontou o programa como uma das quatro melhores
iniciativas mundiais em ecologia integral. A “Carta
da Terra” é um documento mundial que
procura estabelecer bases para o desenvolvimento
sustentável em todo o mundo. Suas discussões
começaram há quatorze anos, durante
a Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92).
Uma das ações que chamaram a atenção
de Pinguelli Rosa foi a construção,
em 2002, do chamado “Canal da Piracema”,
que liga o reservatório da usina ao rio Paraná.
O canal, de dez quilômetros de extensão,
ajuda os peixes a vencerem o desnível de
120 metros entre a superfície do lago e o
rio durante a piracema, época de reprodução
e período crucial para a sobrevivência
das espécies.
Na avaliação do presidente da Itaipu
Binacional, Jorge Samek, as ações
ambientais desenvolvidas por brasileiros e paraguaios
representam o reconhecimento da responsabilidade
dos seres humanos em relação à
natureza. “Não podemos nos esquecer
de Sete Quedas, em Guaíra, uma verdadeira
maravilha da natureza que deixou de existir para
garantir a construção de Itaipu.”
Mais informações em:
www.itaipu.gov.br/aguaboa
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