| SAÚDE
Um olhar clínico
sobre o funcionamento da células

Recentemente disponível
em Curitiba, a tecnologia da Imagem dos Emissores
de Pósitrons (Positron Emission Tomography,
ou PET), coloca a cidade na vanguarda da medicina
nuclear.
Acompanhar com precisão o comportamento
das células de câncer é um dos
maiores desafios da medicina. Uma leitura exata
permite prever o desenvolvimento da doença
e estratégias que aumentem as chances de
cura. Esse é o objetivo da imagem com PET,
uma das mais avançadas tecnologias de diagnóstico
nuclear. O equipamento, trazido para Curitiba pela
Quanta Diagnóstico Nuclear/Medicina Nuclear
Alto da XV – coordenada pelo médico
nuclear João Vicente Vitola –, é
uma máquina híbrida que permite o
uso como PET e para a realização de
cintilografias rotineiras da especialidade, como
exames ósseos, pulmonares, cardíacos,
cerebrais, de tireóide e linfonodos.
No Brasil, a tecnologia está disponível
apenas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília
e Curitiba. O exame de imagem não substitui
a ecografia, a tomografia computadorizada e a ressonância
magnética, que avaliam a anatomia dos órgãos
e lesões. “Ele vem agregar informações
sobre o funcionamento de células e tumores,
o que representa um ganho de conhecimento.”
A chave é o acompanhamento do metabolismo
celular. Em termos simples, metabolismo é
o conjunto de fenômenos relacionados à
entrada e à saída de substâncias
necessárias à vida de um organismo.
“Nas células, um metabolismo focalmente
aumentado em uma área suspeita pode indicar
um tumor maligno. Quando o tratamento já
começou, esse dado permite saber se ele é
o mais indicado.” Em 25% dos casos em que
o diagnóstico é feito pelo PET, há
mudança no tratamento.
Como é feita a leitura?
Os médicos injetam no paciente moléculas
do carboidrato deoxiglicose – substância
interpretada pelas células como nutriente
– marcado com a substância radioativa
Flúor-18 (também conhecida como FDG).
Nas células em que o metabolismo está
alterado, a captação do Flúor-18
é maior, o que indica o problema. As moléculas
emitem radiação e podem ser lidas
por um scanner que determina o lugar e o funcionamento
das áreas problemáticas.
A injeção do FDG não traz efeitos
prejudiciais à saúde do paciente e
pode ser aplicada inclusive em diabéticos.
A imagem com PET é indicada para diagnosticar
tumores no intestino, pulmão, cérebro,
esôfago, pâncreas, ovário, mamas,
pele (melanoma), linfáticos (linfoma) e metástases.
Também permite avaliar o funcionamento de
órgãos de metabolismo acelerado, como
cérebro e coração. “No
coração, é indicada para detectar,
em casos de infarto, tecidos que estejam com funcionamento
reduzido por falta de sangue. Dependendo da quantidade
desses tecidos, podemos saber se o paciente terá
benefícios com cirurgias de ponte de safena,
mamária ou transplante. No caso do cérebro,
pode servir para estudar demências, inclusive
Alzheimer”, explica João Vicente Vitola.
Serviço: João
Vicente Vitola, médico nuclear, com residência
na Vanderbilt University (EUA), e presidente do
grupo de Cardiologia Nuclear da Sociedade Brasileira
de Cardiologia. Quanta Medicina Nuclear –
Av. Marechal Deodoro, 3020, Alto da XV, Curitiba;
Fone: (41) 3362-9778; e-mail:
joaovitola@quantamn.com.br
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