| INTERIORES
Da Rota da Seda à
sala de estar
 

Você reserva um espaço
especial em sua sala para uma caligrafia japonesa
ou para uma máscara da Costa do Marfim. Não
tem certeza sobre o significado da peça,
mas isso não importa. Importa a beleza e,
principalmente, o olhar que ela evoca. O étnico
revela a identificação com uma filosofia
de vida. “A África
e o Oriente são tendências porque a
representatividade dos elementos que esses lugares
trazem deixa o
ambiente mais simpático a aconchegante. As
pessoas sentem-se à vontade”, avalia
o arquiteto Luiz Maganhoto.

PRISCILLA FOGGIATO E RODRIGO APOLLONI
A decoração africana
é relacionada a pessoas que buscam um estilo
de vida ao mesmo tempo simples e sofisticado e,
principalmente, bem sacado. É chic um ambiente
que evoque a arte e os costumes do Continente Negro,
principalmente em combinação com o
design contemporâneo. A ordem é o clean:
linhas retas, muito branco e preto mesclados com
as esculturas em ébano e os tapetes em couro.
A presença africana está nas mantas
de algodão tingidas com urucum, persianas
de madeira, móveis de fibras naturais e objetos
de arte (máscaras e pentes rituais nas paredes,
esculturas).
“São peças exclusivas de artesanato
fino, com jeito de arte”, define o arquiteto.
Não há limitações ao
uso de peles, desde que elas sejam sintéticas.
“Além de serem muito semelhantes às
peles propriamente ditas, elas têm maior durabilidade”,
explica Daniel Casagrande, designer e sócio
de Luiz Maganhoto. Para chegar ao estado da arte,
porém, é preciso ter conhecimento
de causa, sob pena de transformar a casa em cenário
de “As Minas do Rei Salomão”.
A também africana “terra dos faraós”
é um clássico da decoração
étnica. É considerado um padrão
rígido de composição, uma vez
que permite poucas interferências “extraculturais”.
Vale observar, porém, que esse padrão
é muito rico, uma vez que abrange tanto elementos
da cultura faraônica quanto influência
árabe muçulmana e até inglesa.
Destaque para os móveis em madeira maciça
entalhada e seda impermeabilizada.
Onde encontrar
Para as suas composições, Luiz Maganhoto
e Daniel Casagrande trazem a maior parte das peças
africanas do Rio de Janeiro, mas a Ikat (Fernando
Amaro, 1018) possui um bom acervo de móveis
e objetos de decoração africanos.
Móveis, lustres, tapetes e narguilês
egípcios; cristais, esculturas e detalhes
em marchetaria característicos da região,
além de objetos do Irã, Marrocos e
Índia podem ser encontrados na Mundo Egípcio
(Comendador Araújo, 510).
Passagem para a Índia
Ideogramas, dragões, divindades de muitos
braços e cores como o vermelho, o dourado
e o verde jade compõem o universo da decoração
asiática. Atualmente, ela é muito
utilizada em ambientes concebidos para relaxamento
e interiorização. “Muitos spas
usam linhas de arquitetura oriental porque elas
são mais relaxantes, remetendo a praias belíssimas,
natureza e editação”, observa
Luiz Maganhoto.
Comum a ponto de “namorar” com o kitsch,
a decoração asiática inclui
peças indianas, chinesas, coreanas, japonesas,
tibetanas e balinesas. A presença religiosa
é forte, principalmente de elementos budistas
(budas e caligrafia de inspiração
Zen), hindus (divindades) e animistas (representações
de espíritos forças da natureza).
Nos casos em que a preferência étnica
não se limita apenas à decoração,
incenso, batas (no caso indiano) e arranjos florais
completam
o cenário.
Onde encontrar
Uma grande variedade de objetos de decoração
e móveis pode ser encontrada na Matahari
(Sete de Setembro, 6169). A loja trabalha com peças
de Bali, Tibete, Macau e Índia. Peças
indianas e balinesas – inclusive roupas, acessórios
e incenso - podem ser achadas na Gopala (Professor
Brandão, 51). O proprietário, Ranchor
Das, é especialista em Hinduísmo e
em culinária indiana.
Já para quem se liga mesmo em Extremo Oriente,
o melhor endereço de compras é o Mercado
Municipal (Rebouças/Jardim Botânico).
Lá você pode encontrar estátuas
de Buda, dragões chineses em resina, amuletos,
réplicas de espadas, caligrafia, quimonos
e túnicas de seda. O mercado também
oferece ingredientes, panelas e talheres próprios
para a produção de pratos da
cultura oriental.
Exageros: nem aqui, nem na China!
A menos que haja uma finalidade específica
de caracterizar um ambiente, o mais indicado é
mesclar o étnico com o contemporâneo.
A “assepsia”do design moderno valoriza
o étnico, equilibra a relação
funcionalidade x decoração e impede
uma intoxicação visual. Agora, se
a idéia é decorar explicitamente um
ambiente segundo os cânones de uma determinada
cultura, as limitações são
outras. Um ambiente construído em um mesmo
padrão pede cuidados extras para não
ficar exagerado. “O ideal é que o destaque
fique em poucas peças, para não cansar.
Se o cliente insiste em fazer tudo bem caracterizado,
então é melhor fazer apenas um nicho
da casa, um canto especial”, explica Luiz
Maganhoto.
O arquiteto lembra que a linha entre o étnico
sofisticado e o kitsch é tênue e dá
dicas para não converter a própria
sala em uma versão desastrada do templo de
Shiva em Benares:
- Menos é mais: não sobrecarregue.
- Ambientes simples valorizam as peças, que
ganham destaque.
- Siga uma linha, adote uma mesma linguagem em toda
a casa.
- A orientação de um profissional
é sempre bem-vinda.
- Não tente “regionalizar”, misturando
artesanatos étnicos com locais.
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