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SAÚDE

“À flor da pele”

Se uma emoção corriqueira é capaz de produzir efeitos visíveis na pele, o que pode acontecer em casos de stress agudo, ansiedade ou depressão? A ciência descobriu que é possível tratar doenças de pele cuidando da mente – e que um estado alterado da pele pode revelar problemas emocionais.


PRISCILLA FOGGIATO

Nem todas as doenças de pele estão ligadas a quadros emocionais agudos, mas, naquelas em que a conexão existe, a ciência descobriu que é possível obter bons resultados integrando o trabalho do dermatologista com o do psicólogo ou psiquiatra. “Podemos dizer que a saúde é o dedo que aponta, e que o psicológico é para onde esse dedo aponta”, explica o médico dermatologista Sérgio Serafini, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ao perceber que um problema de pele tem fundo emocional,
o dermatologista pode recomendar ao paciente que busque apoio psicológico. “Recebemos os pacientes para fazer um trabalho conjunto, curar as feridas internas e externas”, diz o médico psiquiatra Osmar Ratzke, presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria e professor da UFPR. Segundo ele, pele e sistema nervoso estão profundamente relacionados.

O médico estabelece um vínculo de confiança com o paciente até detectar o que está sendo somatizado. “Muitas vezes pode ser apenas uma situação emocional de caráter momentâneo. Em outros, pode ser uma depressão escondida ou ansiedade. É preciso entender o problema para conseguir atacá-lo”, explica Osmar Ratzke. Quanto mais a pessoa estiver aberta às possibilidades de tratamento, maiores as chances
de voltar a ter uma vida normal.

Tipos

De acordo com o Centro de Tratamento da Pele da Universidade da Califórnia, há três tipos de desordens psicodermatológicas. Elas podem ser psicofisológicas, psiquiátricas primárias e psiquiátricas secundárias. As desordens psicofisiológicas (como a psoríase ou o eczema) estão associadas a problemas de pele não necessariamente conectados à mente, mas que reagem ao stress. Basta a pessoa ficar ansiosa, por
exemplo, para que o problema se agrave.

Nos distúrbios psiquiátricos primários, o gatilho é psicológico e os problemas de pele são auto-induzidos – um exemplo é a tricotilomania, doença que leva a pessoa a arrancar os próprios cabelos. No caso dos distúrbios psiquiátricos secundários, o problema está relacionado à auto-estima. É o que acontece, por exemplo, quando uma pessoa se deprime ou foge ao convívio social por saber que possui uma doença
visível de pele (como, por exemplo, o vitiligo).

Saiba mais: A psicodermatologia não é uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Ainda assim, é objeto de estudos no Brasil e em vários países. Você pode encontrar mais informações sobre o tema visitando os seguintes endereços eletrônicos:

http://www.aafp.org/afp/20011201/1873.html - website da Academia Americana dos
Médicos de Família, traz informações sobre doenças psicodermatológicas (em inglês).

http://www.mackenzie.com.br/universidade/psico/publicacao/vol7_n1/51a60.pdf
- artigo escrito por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, aborda a questão a partir do prisma psicológico.


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