| SAÚDE
 
Diabete e problemas cardíacos, uma associação perigosa
DR. JOÃO VICENTE VITOLA (*)
A diabete é um conhecido fator de
risco para doenças cardiovasculares, em especial de doenças
coronárias. Isso acontece porque ela
causa complicações importantes e muito
freqüentes, obstruindo vasos sangüíneos,
podendo causar no coração o infarto
do miocárdio, conhecido popularmente
como “ataque cardíaco”.
Os dados assustam: cerca de 70% das pessoas que têm diabete terão uma
morte ocasionada pelas complicações
cardiovasculares, que incluem as causas
cardíacas. A diabete já é considerada
pela medicina não como um simples fator de risco, mas sim um marcador de
doença cardíaca.
O primeiro cuidado que os diabéticos
devem ter é buscar um médico endocrinologista
que tenha experiência
em cuidados de diabéticos. Esse profissional,
também conhecido como “diabetólogo”,
é capaz de proporcionar um
controle rigoroso da glicemia - a taxa
de açúcar no sangue -, definindo quais
as medicações são mais adequadas para
este controle.
Existem basicamente dois tipos de diabete, o tipo 1 e o tipo 2.
A do
tipo 1 ocorre em jovens e em crianças e está relacionada à falta de produção
de insulina suficiente pelo pâncreas. Já
a diabete do tipo 2 é mais comum em
adultos, principalmente os obesos, e
está relacionada a uma resistência do
organismo à insulina produzida pelo
pâncreas, fazendo com que a mesma
não controle as taxas de açúcar no sangue adequadamente.
Quem tem diabete deve redobrar a
atenção com o coração e ter cuidados
mais rigorosos com os outros fatores de
risco de doenças cardíacas. Manter hábitos
saudáveis, como exercícios físicos diários, alimentação equilibrada, não
fumar e controlar o colesterol e a pressão
arterial de forma mais rigorosa são
coisas que devem fazer parte do diadia
do diabético. Além disso, o checkup
cardiológico do diabético deve estar
sempre em dia.
Dados ainda mais alarmantes podem
ser observados nos exames de perfusão miocárdica (cintilografias) da
Medicina Nuclear. Em nossa experiência
com a avaliação de aproximadamente
dois mil diabéticos percebemos
que estes têm uma chance até duas
vezes maior de apresentar alterações
no fluxo de sangue para o músculo do
coração.
Apesar das estatísticas, é possível
para o diabético manter uma vida praticamente
normal. Com hábitos saudáveis,
observando os outros fatores de
risco e tendo um controle rigoroso da
diabete, os riscos de complicações cardíacas
diminuem consideravelmente.
João Vicente Vitola (CRM-PR 15739), doutor em Cardiologia pela USP, especialista em Medicina Nuclear
com residência na Vanderbilt University (Nashville, EUA), presidente do grupo de Cardiologia Nuclear da Sociedade
Brasileira de Cardiologia. É diretor da Quanta Diagnóstico Nuclear. Rua Marechal Deodoro, 3020 – Curitiba.
Tel.: 3362 9778 - www.quantanuclear.com
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