| CONSUMO

Especialistas elegem
O melhor shopping de Curitiba
DANIELLE BLASKIEVICZ
Sinônimos de consumo e entretenimento, os shoppings centers são os pontos de encontro par excellence dos habitantes das grandes cidades. Aqui, em Tóquio ou em Moscou, é neles que as pessoas vão quando querem gastar, se divertir, ver e desfilar as melhores roupas em segurança e sem preocupações do tipo “será que vai chover?”
No que depender dos shoppings, Curitiba está mergulhada na globalização: os centros de compras estão em toda a cidade, com perfis que vão do “modelão desconto” ao “glamour absoluto”. Diante de tantas possibilidades – e de tanta gente apaixonada por esse mix de lojas, luzes, comida e tecnologia – Curitiba Deluxe indaga: qual o melhor shopping da cidade? Para responder a essa pergunta, selecionamos especialistas nas diversas áreas que compõem um shopping - mix de lojas, praça de alimentação, cinemas, estrutura de apoio ao cliente, estacionamento e acessos - para avaliar os “gigantes” da cidade (Mueller, Curitiba, Estação, Parkshopping Barigüi e Crystal). Leia a matéria e conheça o eleito.
MIX DE LOJAS
De tudo um pouco...para o público certo
Regra de ouro para o sucesso de um shopping: um centro de compras só pode dar certo se oferecer uma variedade de lojas, um mix, que convença o consumidor de que vale a pena ir até lá. Segundo Miguel Scotti, professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em Finanças e Planejamento, alguns shoppings de Curitiba “ficaram na promessa” justamente por terem elaborado de forma equivocada seu mix de lojas. Nessa receita, o valor atribuído às “lojas-âncora” – blockbusters como C&A, Americanas e Zara – é estratégico. “Essas lojas podem definir a imagem de um shopping”, comenta o consultor Victor
Almeida, coordenador do Programa de Aperfeiçoamento em Gestão do Varejo do Instituto Coppead de Pós-graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Shopping Crystal, por exemplo, possui 175 lojas, mas nenhuma âncora. Segundo Miguel Scotti, o objetivo do shopping é atingir um público seleto, bem direcionado. “Diferentemente do que ocorre em outros shoppings, onde as pessoas vão também para passear, quem está no Crystal normalmente está comprando”, observa. Orientação oposta segue o Parkshopping Barigüi, que, apesar de também atrair um público de alto poder aquisitivo, reserva um espaço importante (entre suas mais de 200 lojas) para lojas-âncora como Fnac e Ponto Frio, e para o mega-empreendimento de fitness da Cia. Athletica Express. São atrativos diferentes daquilo a que o curitibano estava acostumado, fugindo do que Victor Almeida classifica como “homogeneização do mix de lojas dos shoppings”. Outro shopping em que quase sempre se encontra o que se está procurando é o Mueller, com cerca de 200 lojas. “No Mueller, a rotatividade das lojas acaba sendo benéfica, pois o que não é bem aceito pelo público acaba substituído rapidamente”, avalia Miguel Scotti. Já o Shopping Curitiba, segundo ele, é o que tem o “público mais fiel” e a menor rotatividade de lojas, justamente pela boa aceitação junto ao público-alvo do empreendimento. Para Miguel, o único dos grandes empreendimentos que ainda não está consolidado como um centro de compras é
o Estação, com 214 lojas. “O forte ali ainda são os serviços. O mix de lojas deixa a desejar em diversos aspectos e as âncoras são similares, como é o caso da Renner, Marisa e Riachuelo”, finaliza.
PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO
Mignon, Big Mac...e, é claro, lugar para sentar
Seja para tomar um chopinho, matar a fome ou beliscar antes do cinema, a praça de alimentação de um shopping deve oferecer alternativas para todos os gostos. Para a arquiteta e professora de Planejamento de Cozinhas Comerciais do Curso de chefs do Centro Europeu, Claudia Christine Sovierzoski, a praça de alimentação do Shopping Crystal é a menor e a que oferece menos opções de consumo. São 15 lojas, com capacidade para 500 pessoas. Entretanto, há um espaço destinado para alimentação no piso dos cinemas, onde há restaurante, café e confeitaria. “Essa área faz a integração da parte gastronômica com a de lazer, o que é fundamental em um shopping”, analisa Claudia.
A mesma integração não acontece no Mueller, onde a praça de alimentação está separada do restante do empreendimento, distante até mesmo dos cinemas. Entretanto, graças à sua localização, o Mueller tem uma das áreas mais disputadas pelo público. Das 12h30 às 13h30 é necessário certa paciência para conseguir um lugar para comer, pois a capacidade de atendimento das 16 lojas (900 pessoas) chega ao limite. O mesmo acontece no Curitiba, pois a praça de alimentação, com 23 lojas e capacidade para 500 pessoas, não tem como se expandir.
No Estação, ao contrário, dificilmente você terá que esperar muito tempo por uma mesa – a capacidade de atendimento é de 1,5 mil pessoas. “É a que tem mais espaço para as mesas e capacidade para crescer”, avalia a arquiteta. Claudia elogia a forma como o espaço foi projetado no Estação, com
saídas de serviço (docas) exclusivas para os restaurantes, o que facilita o trabalho dos funcionários. Na prática, a circulação
de materiais e a retirada do lixo podem ser feitas em qualquer horário, pois as docas estão localizadas na parte de trás das lojas e não interferem no atendimento ao público. No Parkshopping Barigüi são 24 lojas distribuídas em uma área com capacidade para 744 pessoas, além das mesas próprias de restaurantes como o Trovatta e o Beto Batata. “Ali, a estrutura das lojas é adequada, as lojas são grandes. Mas a praça de alimentação poderia ter um número maior de mesas”, observa a arquiteta.
CINEMAS
Pipocas em Dolby Stereo
Não basta o filme ser bom, porque o espectador também leva em conta o preço do ingresso, do refri e das pipocas, a qualidade de projeção da película, os recursos de som da sala, o grau de inclinação das poltronas e a disponibilidade de horários. Nesses quesitos, na avaliação dos especialistas ouvidos por Curitiba Deluxe, saem na frente as redes Cinemark, presente no Mueller e no Barigüi (cada shopping possui oito salas, com 2.046 e 2.156 lugares),
e UCI, no Estação (dez salas com 2004 lugares).
Duas salas do Estação (5 e 6) e todas as salas do Mueller e do Parkshopping são em formato stadium, que, graças a um escalonamento das poltronas, garante visão total mesmo com o cinema cheio. Elas também possuem telas de parede a parede, som digital, isolamento acústico e poltronas reclináveis com braços móveis. As salas contam com assentos duplos em que o apoio central para o braço pode ser levantado.
No quesito qualidade de programação, porém, a maior nota vai para outras salas. Para o mestre em Comunicação e Linguagem Tom Lisboa, a programação do Crystal (cinco salas de exibição e 752 lugares, administrados pela Unibanco Artplex) é de maior qualidade, com opções de filmes comerciais
e alternativos. “O Crystal, embora não seja o mais confortável, tem ótimas condições estruturais e uma programação mais interessante”, destaca. Denize Araújo, PhD em Literatura Comparada, Cinema e Artes, lembra que o Crystal é o único dos cinemas de Curitiba a oferecer sistema de projeção digital em uma de suas cinco salas. Mas o equipamento não é utilizado em todas as sessões.
Para Lisboa, o Curitiba (seis salas de exibição e 1.327 lugares) é o que oferece as condições menos favoráveis, pois peca no equilíbrio da programação.
E no quesito preço do ingresso? Em todos os shoppings o valor é alto. Os ingressos do Cinemark são os mais caros, R$ 16,00 de sexta a domingo, seguidos dos do UCI, R$ 15,00. No Curitiba, a entrada custa R$ 12,00 e, no Crystal, R$ 11,00. Todos os shoppings oferecem descontos e promoções durante a semana, mas é o shopping Crystal que se diferencia neste quesito, com exibições gratuitas, como as da “Sessão Latina” às segundas-feiras e as da “Sessão
Cinedoc”, às terças, além da “Sessão Popular”, que é diária e custa R$ 3,00.
ESTACIONAMENTO E ACESSOS
Os estacionamentos e acessos para pedestres dos shoppings atendem à legislação, mas, na prática, alguns empreendimentos são mais viáveis. No Curitiba,
por exemplo, a rampa circular pode inibir alguns motoristas. O engenheiro civil Paulo Fernando da Silva Moraes, professor de Gestão de Trânsito da PUC-PR, lembra que outro problema ali é o desperdício de vagas - hoje, são 974. “Os espaços foram projetados para três veículos e depois
readequados para dois.” A grande vantagem ficou com o Parkshopping Barigüi, que oferece estacionamento gratuito para 2,4 mil veículos.
Nos demais, a taxa mínima é de R$ 3,00 para até três horas. O advogado Carlos Alexandre Negrini Bettes, especialista em legislação de Trânsito e mestrando em Gestão Urbana, diz não ver problemas quanto à cobrança, uma vez que o estacionamento pode ser considerado um serviço. Certo é, porém, que a gratuidade conta pontos com o público. O Crystal Plaza é o que oferece menor número de vagas, 750. Entretanto, Bettes lembra que, como seu principal foco
são as vendas e não os serviços, isso diminui a demanda. É justamente o contrário do que ocorre no Estação, onde as 1,8 mil vagas precisam atender ao público que vai ao centro de convenções, cinemas, teatro ou às compras. “A demanda ali é grande, mas a facilidade de acesso minimiza o problema
porque há uma via exclusiva para quem vai entrar no shopping, o que não ocorre no Mueller, no Crystal e no Curitiba, onde os carros ficam na via pública esperando para entrar.” No Mueller, um novo estacionamento inaugurado em 2003 solucionou o problema de falta de vagas, que hoje somam 1,5 mil. Estacionamentos particulares nas redondezas dos shoppings, ressalta Moraes, demonstram a insuficiência de vagas disponíveis. “Afinal, ninguém vai montar um estacionamento só para o período de Natal”, observa.
APOIO AO CLIENTE
“Meu reino por um fraldário!”
O maior diferencial dos shoppings está no apoio ao cliente. Segundo a arquiteta Samantha Filipin, ele engloba os serviços que garantem conforto e segurança
aos visitantes, como fraldários, ambulatório médico e casa lotérica. Como todos os shoppings analisados mantém uma boa estrutura de apoio, ganha o que investiu na diversidade e na gratuidade. O Parkshopping Barigüi venceu no quesito: oferece um “estacionamento de crianças” e também guardavolumes,
kit-costura e até um espaço ecumênico. O shopping mantém ainda um time de colaboradores treinados para auxiliar os clientes. No Crystal, que também oferece
guarda-volumes, o serviço custa R$ 1,00.
De acordo com Samantha, o Barigüi também oferece a melhor estrutura de banheiros - vários e de fácil acesso. “No Mueller, os banheiros estão em um dos cantos de cada andar, o que dificulta o acesso.” Já no Curitiba, ela considera o número de sanitários insuficiente para atender o público.
Recentemente, o Mueller inaugurou o espaço “Brinq Mueller”, com oficinas de brincadeiras para crianças de um a dez anos. Para participar, os pais devem cadastrar a criança e pagar R$ 10,00 (para uma hora) ou R$ 7,00 (meia-hora). O Estação, criado dentro do conceito de centro de serviços, é o que oferece a maior variedade de espaços culturais, como cinemas, teatro e museus, além do centro de convenções. “A arquitetura do Estação é um diferencial. A fusão entre o antigo prédio da estação ferroviária e uma estrutura metálica produz um resultado harmonioso”, destaca a arquiteta.
Simplesmente o melhor
Com base em notas atribuídas pelos especialistas entrevistados, Curitiba Deluxe montou um
ranking dos shoppings da cidade. Confira na edição impressa que circula nos principais pontos comerciais da cidade. Confira
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