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ARTES

Palacete da Cultura

BRDE transforma antiga mansão em pólo de difusão cultural

RODRIGO APOLLONI

O Palacete dos Leões, no Alto da Glória, é um ícone da arquitetura curitibana da Belle Époque. Construído em 1904, simboliza a riqueza do Ciclo Econômico da Erva-Mate e a transformação de Curitiba em “cidade grande” no início do século XX. Atualmente, porém, não está ligado apenas à memória histórica: graças ao trabalho do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o antigo solar da Família Leão – desde agosto de 2005, sede do Espaço Cultural BRDE – converteu-se em um dos mais vibrantes centros de difusão de cultura da cidade. O ano de 2007 foi especialmente movimentado: de fevereiro a dezembro, os três ambientes de exibição abrigaram onze exposições, lançamentos de livros, CDs, apresentações de MPB e teatro, além de uma importante mostra de audiovisuais produzidos por cineastas da Região Sul. “A procura, tanto pelo público quanto por artistas interessados em expor ou lançar obras, é muito grande.

Nossa agenda de 2008 está praticamente fechada”, explica Marco Aurélio Rodrigues dos Santos, coordenador do Espaço Cultural BRDE. O sucesso se explica por várias razões, a começar pela qualidade do ambiente de exposições e pelo apoio que a coordenação do Espaço Cultural BRDE dá aos artistas. Além disso, a Assessoria de Comunicação do Banco (ASCOM/ BRDE) trabalha em parceria com a coordenação do Espaço para promover as atividades. Formada por funcionários do próprio Banco, com a participação de um curador, especialmente convidado, para ajudar na escolha. Os eventos ligados ao Teatro, Música, Literatura e Audiovisual são decididos internamente pela comissão. Ao lado de artistas consagrados, há
o incentivo para novos talentos. O critério de ocupação do espaço é baseado na qualidade dos projetos.

Destaques — Um dos principais destaques do ano foi a exposição “Vidas Alemãs”, de Stefan Moses, um
dos mais importantes fotógrafos europeus do século XX. Levada ao Espaço Cultural BRDE em maio e junho pelo Instituto Goethe, a exposição trouxe 46 imagens do povo alemão no pós-guerra. “No Brasil, fomos os únicos a apresentar essas imagens”, lembra Marco Aurélio. A vanguarda da arte urbana também esteve presente nos salões do BRDE: em julho, com “Construções”, exposição de pinturas, instalações e
intervenções de Gabriel de Barros; em agosto, com “Fluxo de Gravação – Fluxo 1”, coletiva do Grupo de Arte Sala Profunda; e, em novembro, com o “Projeto Muro”, que forrou as salas de exibição com os trabalhos de seis curitibanos ligados à street art.

Entre 29 de outubro e 12 de novembro, o Espaço realizou a 1ª Mostra BRDE de Audiovisual, que trouxe a Curitiba seis filmes produzidos por diretores da Região Sul com apoio do Banco. O público conferiu as produções paranaenses “O Brasil de Saint Hilaire - Campos Gerais do Paraná” (de Berenice Mendes), “Inferno” (de Geraldo Pioli) e “Viva Volta” (de Heloísa Passos), as catarinenses “Desilusão” (de Marco Stroisch e Bob Barbosa), e “Luiz Henrique - No Balanço do Mar” (de Ieda Beck) e a gaúcha “Porto Alegre - Meu Canto no Mundo” (de Cícero Aragon e Jaime Lerner). “De 2004 a 2006, o BRDE destinou quase R$ 2,7 milhões a projetos amparados por leis de incentivo nos Estados do Sul, com grande apoio ao setor de audiovisual. Essa mostra serviu para prestar contas e mostrar aos curitibanos ilmes que, por problemas de distribuição e exibição, muitas vezes são pouco vistos”, observa a jornalista Dinah Ribas Pinheiro, uma das idealizadoras da mostra.

Livros — O Espaço Cultural BRDE também abriu as portas para o lançamento de livros com temas ligados à realidade paranaense. Foi o caso de “Pêssanka – A Arte Ucraniana de decorar Ovos no Brasil”, obra do
jornalista (e colunista de Curitiba Deluxe) Eduardo Sganzerla que retrata uma importante tradição eslava trazida pelos imigrantes ucranianos que vieram ao Paraná. Foi o caso, também, de “Zimmermann – O Objeto e sua Aura”, livro do artista plástico Carlos Eduardo Zimmermann, que resgata seus 35 anos de carreira. E de “Jornalismo Cultural: Um Resgate”, da pesquisadora Selma Sueli Teixeira, que recupera o trabalho de sete jornalistas (Adélia Maria Lopes, Marilu Silveira, Rosirene Gemael, Dinah Ribas Pinheiro, José Carlos Leite, Reinaldo Jardim e Aramis Millarch) responsáveis pela coniguração do jornalismo cultural no
Paraná. As três obras foram lançadas em novembro.

Um imperdível 2008

Se 2007 foi um ano fantástico, 2008 promete ser extraordinário para o público do Espaço BRDE. Quem
garante é a jornalista Dinah Ribas Pinheiro. Segundo ela, a agenda fechada até o momento prevê nove
exposições até setembro. Dessas, três serão mais do que especiais. A primeira, em julho, trará as obras de um dos mais importantes artistas plásticos que viveram em Curitiba, o francês Paul Garfunkel. O objetivo
é marcar em grande estilo os setenta anos da Aliança Francesa em Curitiba. A segunda exposição
acontece em agosto e trará obras de artistas argentinos, com curadoria de Santiago Gallo. A terceira, do artista plástico paranaense Cláudio Kambé, acontece em setembro. Em resumo: imperdível.

SERVIÇO: Espaço Cultural BRDE — Palacete dos Leões. Avenida João
Gualberto, 530 — Alto da Glória. Tel. 3219 8184.

 

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