ARTIGO
Harmonia para o ano inteiro
ANA
CLAUDIA LEE (*)
Assim como no Ocidente, também na China os números
foram associados, desde cedo, ao conhecimento do universo.
Os chineses guardam relações importantes
com o um (o “Tao”), o dois (“Yin”
e “Yang”, princípios feminino e masculino),
o três (as energias básicas “Chi”,
“Jin” e “Shen”, a relação
“Céu” x “Terra” x “Ser
Humano”), o cinco (número de elementos básicos
e suas relações com a saúde, a música
e a astrologia), o oito (número de trigramas que
forma o “Pa Kua” e o número de divindades
“Imortais” no Taoísmo) e o sessenta
e quatro (as configurações obtidas por meio
do “I Ching”).
Uma das combinações menos conhecidas no
Ocidente é a da chamada “Harmonia dos Seis”
– em chinês, “Lho Hã” –
que se refere às polaridades que regem o universo
ao longo do ano. A bem da verdade, os taoístas
consideram que a dinâmica entre os princípios
masculino e femino existe em todos os momentos, numa mutação
constante e perfeita.
No caso da “Harmonia dos Seis”, a relação
é com as fases do ano. Em princípio, deve-se
considerar as quatro estações em sua relação
com as polaridades Yin e Yang. Assim, temos como fases
Yin (elemento feminino, passivo) o inverno e o outono.
Em oposição, as estações Yang
(elemento masculino, ativo) são o verão
e a primavera.
A partir dessa percepção, os antigos taoístas
estabeleceram padrões de comportamento. Assim,
enquanto no verão e na primavera eles buscavam
se manter mais ativos – respeitando, inclusive,
uma prática de exercícios físicos
e um cardápio condizente com o “calor”
das coisas -, no inverno procuravam o recolhimento e a
redução do ritmo de vida.
Cada estação, porém, pode ser dividida
em três fases, cada uma correspondente a um dos
meses a ela relacionados. Assim, o começo do inverno,
por exemplo, está ligado à ascenção
do princípio feminino – as coisas começam
a assumir as características Yin. O segundo mês
é o de expressão máxima da polaridade:
nesse caso, é o período de maior recolhimento.
O terceiro mês, que marca o início da passagem
de uma estação para outra, é o de
declínio do princípio, com a passagem final
para a ascenção da polaridade inversa (no
nosso exemplo, o Yang de primavera). Pronto: eis aí
as “Seis Harmonias” (três de inverno
x três de verão; três de outono x três
de primavera).
Viver com sabedoria – Aparentemente,
no século XXI não há lugar para a
percepção do ritmo do universo. Afinal,
todo dia é dia de trabalho, de velocidade, de ganhar
e consumir. Ainda assim, pode ser interessante observar
pequenas coisas. Que tal perceber, ainda que por pura
curiosidade, os ritmos da vida descritos pelos chineses?
Ao longo das estações você nota que
seu corpo “pede” mais ou menos alimentos,
líquidos, sono e atenção? E como
você responde a essas demandas? Vale a pena tentar,
pelo menos para notar que nem só de correria vive
o ser humano.
(*) – Ana Claudia Lee é terapeuta holística
em Curitiba

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