SUA REVISTA DE BELEZA E BEM-ESTAR
Nº 1 - PRIMAVERA 2005
 
 
PERFIL EXPEDIENTE ONDE ENCONTRAR EDIÇÕES ANTERIORES IMPRENSA
 
 

CONTEÚDO

Editorial

Reportagens
Profissionais
Colunas
Guia de Serviços

 


MODA

Bala na agulha


Estilistas locais comemoram o crescimento
da cultura de moda em Curitiba


PRISCILLA FOGGIATO
A quem interessar possa – e certamente são muitos: Curitiba já tem uma cena de moda. E ao contrário do que parece à primeira vista, não é uma cena qualquer, ainda incipiente. A capital paranaense já produz moda internacional além do streetwear e está aos poucos conquistando mais espaço no cenário nacional.
Um dos nomes de maior destaque no cenário brasileiro atualmente, Jefferson Kulig é o exemplo da moda de qualidade que é feita aqui e exportada para o mundo. O estilista e, mais que isso, designer de tendências, é formado em Economia e começou a interessar-se pelo vestuário ainda na fábrica de tricô de seus pais. Foi quando teve as primeiras experiências com os pontos e a trama do tecido.
Preocupado com o aperfeiçoamento do seu modo artístico de ver e criar sua moda, fez um curso de criação com Marie Rucki, em São Paulo, e de lá para cá começou a desenvolver um trabalho de características muito próprias e bem marcadas. Em parceria com a Rhodia, Kulig passou a desenvolver seus próprios tecidos e estampas a cada coleção. Foi então que criou o famoso “borracha” – tecido de alta tecnologia que tem a estrutura alterada por um processo de vulcanização.
É aí que começa o diferencial da moda desenhada por Kulig: trabalhando prioritariamente com tecidos sintéticos, ele desenvolve cerca de oito para cada coleção, além das estampas e do detalhe – fundamental em algumas peças – do corte a laser. “Eu procuro um tecido que valorize o corpo feminino, deixe mais bonito sem colar, como a lycra. Que não acompanhe as formas do corpo, mas sim a curvatura natural”, explica.
Todo esse trabalho artístico já foi vastamente reconhecido fora daqui – com a participação no reconhecido São Paulo Fashion Week desde 2003. Coincidentemente ou não, foi na mesma época que o estilista notou que a cidade começava a aceitar mais o tipo de moda produzida por ele. “Há dois anos o público de Curitiba parece estar se tornando mais ousado, a cultura de moda está mais acessível”, comenta.

Conceito x marca
A mesma opinião é partilhada por Roberto Arad, dono da marca que leva seu nome e outro pioneiro no design de moda contemporânea na cidade. “A moda aqui evoluiu bastante não só em relação ao estilo, mas também na formação profissional”, afirma. Arad possivelmente fala dos cursos de Design de Moda que abriram recentemente na Universidade Tuiuti do Paraná e no Centro Europeu, que de tempos em tempos despejam novos estilistas embalados por eventos como o Curitiba Fashion Art.
De acordo com Arad, o curitibano está mais orgulhoso de vestir uma moda feita por quem conhece. Com uma moda mais voltada ao dia-a-dia, seus jeans de cortes diferentes e camisetas com estampas ousadas são facilmente vistos circulando na cidade, usados por quem se importa com o conceito por trás da marca. Apesar de já ter vendido bem em São Paulo, Arad tem como seu melhor público-alvo o que ele chama de vanguarda curitibana. “Curto mesmo é ver as pessoas daqui lotando uma sala para ver meu trabalho.”
Outro estilista bem recebido pelo público é Jean Pierre Lobo. Preocupado em vender o conceito e ter estilo próprio, atualmente está tentando levar seu design até mais pessoas. “Não vale a pena desenvolver uma coleção por estação se a produção é muito exclusiva. As pessoas que usam minhas roupas têm o mesmo estilo de vida, não dá pra ficar encontrando gente vestida igual quando sai nos mesmos lugares à noite”. Jean é outro estilista que diz que a cidade está mais receptiva à moda. “Atualmente o público presta mais atenção no que é mais conceitual, não em moda casual”.
A conhecida logomarca JPL tem planos de levar suas pesquisas de corte, design e estampas exclusivas para outras cenas que possam absorver seu estilo com mais intensidade, como Estados Unidos e Londres. Jefferson Kulig já conquistou o exterior, vendendo para Nova Iorque, Arábia Saudita e até Japão – este último em contatos via internet.

Do outro lado da rua
Fazendo uma moda mais casual, caindo no streetwear, estão a LAMB e a Candyland. A LAMB – sigla para Laboratório Alternativo de Moda Brasil – surgiu da idéia de amigas que já trabalhavam com moda, porém, não se sentiam livres para criar e vender o que gostavam. “Nós queríamos espaço para vender o que não está nos shoppings. Os lojistas não ousam, só querem o que está na moda”, conta Gabriela Garcez, uma das sócias.
Gabriela cursou Moda no Senai com Carolina Marzall, que já tinha experiência com confecção, e juntas colocaram em prática a liberdade criativa com a possibilidade de vender direto ao consumidor. Não se importando com o rótulo de underground, elas desenvolveram seu estilo muito pessoal de estampas, bordados, cortes, criando uma estética muito urbana.
Muito procurada por artistas, a LAMB incorporou logo ao seu casting a fotógrafa Líris Robert. Líris começou criando estampas a partir de suas fotografias, e logo uniu sua arte ao corte e customização das roupas. “Meu forte é a imagem, que eu quero passar através da roupa”, explica, usando camisetas, luvas, casacos e blusas como suporte.
As três dividem um estúdio e não pretendem, ao menos por enquanto, sair do esquema quase artesanal, de exclusividade de peças. “Não queremos descaracterizar o nosso conceito, por isso não dá pra revender em qualquer loja”, diz Gabriela. É uma escolha difícil. “Apesar de estarmos sendo bem recebidas, o mercado de confecção em Curitiba é difícil e ainda vê a criação como um gasto, não como um investimento”, diz Carolina.

Quadrinhos no peito
Levar a arte para o cotidiano foi também a forma encontrada por Guilherme Caldas, proprietário da Candyland, de fazer o que gosta e criar um jeito diferente de vestir. A história por trás da marca é simples: estudante de Artes Plásticas na USP, Guilherme envolveu-se com fanzines, quando nasceu o nome Candyland. Dos fanzines às camisetas com personagens foi um pulo.
A confecção, apenas um dos braços da empresa de Guilherme, teve um começo difícil. “Em 1999, ninguém falava de camisetas ou ligava para a estampa”, dispara. Aos poucos a Candyland começou a firmar-se no mercado sempre casada ao conceito artístico e outros quadrinistas passaram a ser convidados para estampar seus desenhos no peito dos curitibanos.
Os artistas entram com uma história ou quadrinho que é associado a estampas da coleção. “De preferência, coisas simples e diretas. Nesse caso, sou mais editor que estilista”, brinca Guilherme. Não há uma coleção fixa e nem uma tendência. Nem a identidade com o público que aprecia quadrinhos era uma meta: como a LAMB, a Candyland vende uma idéia e um estilo de vida.
Pouca pretensão já rende bons frutos: a marca está em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e até Fortaleza e, apesar do sucesso no mundo indie de Curitiba, ainda é fora do Paraná que vende mais. Talvez, aos poucos, o curitibano resistente e conservador esteja abrindo uma janela ao novo que chega com a moda.

Serviço:
Jefferson Kulig - Endereço: Rua Saldanha Marinho, 1570 - Telefone: (41)3225-3502 - Site: www.jeffersonkulig.com.br
Roberto Arad - Endereço: Rua Vicente Machado, 664 - Telefone: (41) 3029-2770 - Site: www.robertoarad.com.br
Candyland - Endereço: Rua Mauá, 111-a - Alto da Glória - Telefone: (41) 3363-5784 - Site: www.candyland.com.br
Jean Pierre Lobo - Endereço: Rua Vicente Machado, 833 - Telefone: (41) 3233-8637
Lamb - Endereço: Rua Vicente Machado 738 - casa8 - Telefone: (41) 9187-8364

NOVIDADE
Escova progressiva sem o uso do formol

ARTIGO
Harmonia para o ano inteiro

ESTÉTICA
Bioplástica: Tratamento de beleza do século XXI
Maquiagem definitiva - remoção com laser

SAÚDE
Busca por corpo perfeito exige cautela

MODA
Estilistas locais comemoram o crescimento da cultura
de moda em Curitiba

Herchcovitch assinará novos uniformes do Mcdonald´s
Pakalolo apresenta uma ampla e alegre linha de calçados
Colella vai vestir a seleção na copa 2006



ANUNCIE
Conheça as vantagens e formatos para divulgar sua marca ou serviço

CONTATO
Dúvidas, sugestões, dê sua opinião!
 

© 2005 Curitiba Deluxe - Rua João Negrão, 731 - 1506 - Centro - Curitiba - PR - CEP: 80010-200
comercial@curitibadeluxe.com.br - fone: (41) 3223-8172